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A revisão do Plano Diretor e os efeitos para alguns bairros de São Paulo

Conversamos com Fernando Sampaio, presidente da AME Jardins para entender as principais mudanças e novas regras para as futuras construções da cidade

Em vigor desde 1971, o Plano Diretor estabelece propostas urbanísticas para as cidades oferecerem uma estrutura que facilite a vida da população. Neste contexto, o Plano Diretor engloba aspectos ambientais, sociais e estruturais, avaliando os melhores caminhos para uma cidade mais acessível, modernizada e ambientalmente responsável. 

Em 2014, foi desenvolvida a última versão do Plano Diretor com direcionamentos até o ano de 2029. Uma revisão intermediária estava prevista para 2021, porém, com o advento da pandemia, a reformulação foi adiada. Em 2023, o texto voltou a ser analisado, propondo alterações que se adequassem às necessidades atuais da cidade. 

As mudanças na revisão do Plano Diretor

A revisão do Plano Diretor propõe um aumento na verticalização de certas áreas da cidade, o que traz consigo uma série de repercussões tanto para a paisagem urbana quanto para a dinâmica da vida cotidiana dos habitantes. Essa transformação impacta diretamente a mobilidade urbana, com potencial aumento no fluxo de veículos e usuários do transporte público, e gera preocupações relacionadas ao meio ambiente, especialmente no que diz respeito à formação de ilhas de calor – regiões urbanas com temperaturas significativamente mais elevadas.

Defensores da proposta argumentam que expandir as zonas influenciadas pelos principais eixos de transporte pode efetivamente tornar o transporte público mais acessível, facilitando a vida da população. Por outro lado, há críticos que alertam para o risco de superlotação nos bairros afetados, aumentando a pressão sobre a infraestrutura local. 

Os impactos do Plano Diretor

Jornalista e empresário, Fernando Sampaio é presidente da AME Jardins, associação sem fins lucrativos responsável por representar os interesses dos bairros Jardim Paulistano, Jardim Europa, Jardim América e Jardim Paulista. A associação tem como foco cuidar das regiões para manter a segurança, o uso e ocupação do solo, zeladoria dos espaços públicos, trânsito local, além de se preocupar com questões ambientais e ações sociais. Em entrevista para a Quadra Realty, Fernando nos explicou o cenário atual diante das mudanças propostas na revisão do Plano Diretor e como isso afetará os bairros dos Jardins. 

Para Fernando Sampaio, as mudanças não afetarão apenas os bairros dos Jardins, mas a cidade de São Paulo como um todo. “De maneira geral, fica cada vez mais claro que não temos projeto de urbanização. Nesta última mudança, o debate técnico saiu perdendo, prevaleceram os interesses econômicos, não a qualidade de vida da população. O grande problema das últimas mudanças é a insegurança jurídica e econômica”. 

Outro ponto levantado pelo presidente da AME Jardins foi a incerteza de projetos futuros, “Você pode comprar um imóvel com vista garantida? Você sabe qual o futuro do seu bairro daqui a cinco anos? É um vôo cego”. Fernando ressalta a falta de organização e planejamento em relação às construções, não garantindo à população uma estrutura adequada. Além disso, ele ressalta os impactos ambientais diante das alterações do Plano Diretor, “São Paulo ficará mais quente, com mais concreto e menos áreas verdes”, afirma Fernando. 

Do ponto de vista dos moradores, Sampaio explica que após a realização de um abaixo-assinado e centenas de faixas colocadas nas fachadas das casas, foi possível manter a proibição de atividades incômodas nos corredores dos Jardins. “O presidente da Câmara, Milton Leite, e o presidente da Comissão da Lei de Zoneamento, Rubinho Nunes, entenderam a acataram a demanda dos moradores que se manifestaram. Foi uma vitória importante. Esperamos que a lei seja cumprida. Infelizmente, na atual gestão municipal, isso não está acontecendo”, conta Fernando.

Faixa de protesto a favor das áreas verdes dos Jardins

Para minimizar os efeitos, Fernando Sampaio complementa trazendo a Justiça e a fiscalização como ponto-chave para colaborar com os moradores dos Jardins, “Existe o caminho da fiscalização, afinal a lei é para ser cumprida. Impossível viver em sociedade desrespeitando a lei”.

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