À frente da Galeria Caribé há mais de quatro décadas, Sergio Caribé construiu um espaço que combina respeito à tradição artística com abertura para novas linguagens. Desde sua fundação, em 1984, a galeria atua como ponte entre mestres consagrados e novos talentos, promovendo exposições que equilibram memória e experimentação. Ao lado do irmão Luiz Carlos, Sergio mantém uma programação que dialoga com diferentes épocas e estilos, refletindo o compromisso de renovar sem perder de vista o legado que ajudou a formar o cenário artístico brasileiro.
Um lugar icônico
“O espaço expositivo é maravilhoso, muda totalmente a ambientação e a arquitetura do local”, afirma Sergio. A antiga residência, projetada em 1960 por Jorge Zalszupin — um dos nomes mais importantes da arquitetura modernista brasileira — foi adaptada para receber exposições com pé-direito elevado e áreas generosas, capazes de acolher até 500 visitantes, criando um diálogo único entre arte e arquitetura. Localizada em um dos bairros mais valorizados de São Paulo, em frente ao Parque Ibirapuera e próxima à Bienal, a galeria se beneficia de um contexto urbano e cultural vibrante, que potencializa sua proposta curatorial. “Sempre recebo feedback de que o espaço é incrível. Ele transforma a forma como as obras são percebidas”, comenta Caribé, que desde o início dos anos 1980 já se dedicava ao mercado de arte, inicialmente como colecionador e patrocinador, antes de decidir comercializar obras e abrir a galeria em 1984.
A busca por novos talentos
Nos bastidores da Galeria Caribé, a busca por novos artistas se assemelha a um trabalho de garimpo. Em meio a um fluxo constante de imagens e portfólios que chegam pela internet, Sergio Caribé navega por esse oceano de possibilidades com a paciência e o faro de quem vive o mercado de arte há mais de quarenta anos. Ele observa, compara, descarta, volta atrás, até encontrar aquele nome que se destaca — não apenas pela técnica, mas por um dom que não se ensina. “Hoje o universo é enorme, por isso é preciso separar e enxergar quem realmente tem algo a mais”, diz. Essa curadoria silenciosa, feita longe dos holofotes, é parte do que mantém a galeria viva entre tradição e renovação.
A arte que brilha os olhos
Entre os artistas brasileiros contemporâneos, Sergio Caribé não esconde sua admiração por OSGEMEOS. Para ele, a dupla é um exemplo raro de genialidade e inventividade, capaz de criar um universo próprio que transita entre o popular e o sofisticado. “Eles são artistas excepcionais, com uma fertilidade criativa enorme”, afirma, lembrando da marcante exposição realizada na Pinacoteca de São Paulo. Essa capacidade de surpreender e dialogar com diferentes públicos é, segundo Caribé, o que consolida os dois como nomes indispensáveis no cenário da arte brasileira e internacional.
Um cenário desafiador
O marchand não tem ilusões sobre as dificuldades do setor. “O Brasil, em termos de arte, continua engatinhando se comparado a países como Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos”, comenta, citando a falta de investimentos e incentivos, inclusive para museus. Mesmo assim, segue acreditando no poder transformador da arte — tanto nos espaços quanto nas pessoas.
Quando a arte transforma a casa
Mais do que um elemento decorativo, uma obra de arte tem o poder de transformar completamente a atmosfera de um espaço. Para Sergio Caribé, o impacto é comparável à assinatura de um grande arquiteto na concepção de uma casa: “Quando colocamos bons artistas nesses espaços, muda totalmente a ambientação e a arquitetura do local”. Ele lembra que essa percepção se refina com o tempo e o contato constante com museus, galerias e exposições, permitindo diferenciar um trabalho comum de um excepcional. Embora peças de artistas consagrados exijam investimentos mais altos, Caribé defende que é possível encontrar obras de qualidade com preços acessíveis. “O fundamental é comprar pela energia que o quadro transmite e pela beleza. Isso é o que realmente transforma o ambiente.”
O olhar que atravessa o tempo
Para Sergio Caribé, a arte é a expressão mais genuína da experiência humana; ela carrega a capacidade de traduzir emoções, experiências e visões de mundo que atravessam séculos, desde as pinturas rupestres até as vanguardas contemporâneas. “De todas as formas de expressão, é a que mais toca o ser humano”, afirma. Ao mesmo tempo, a arte revela aquilo que está além do cotidiano. Entre paredes carregadas de história e janelas abertas para o futuro, a Galeria Caribé continua sendo um ponto de encontro entre tradição e inovação, onde o olhar treinado de Sergio conecta passado e presente em obras que atravessam o tempo.








